Blogue de NELSON S. LIMA

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DE ONDE VEM A SOBREDOTAÇÃO?

O seguinte artigo traz para primeiro plano algumas questões que muitas pessoas consideram ainda sem resposta convincente, nomeadamente a génese da sobredotação. Afinal, o que é que faz com que 3% da população seja sobredotada e alguns excepcionalmente sobredotados? Os defensores da Conscienciologia dizem que a sobredotação não reside apenas numa excepcional estrutura do cérebro. Neste artigo (adaptado) do jornalista Daniel Muniz fala-se de algo mais. 

"O indivíduo sobredotado é alguém com inteligência além da média em uma ou algumas áreas (altas habilidades). Nos estudos da sobredotação, os especialistas da ciência convencional, restricta à materialidade, "acreditam" que a genética contribua com 50% das capacidades, inteligências, sobredotações e até genialidades de qualquer indivíduo.

Supõe-se que existam diversos genes envolvidos na formação das capacidades, talentos, habilidades e potencialidades. A palavra suposição cabe aqui justamente pelo facto de não se conhecer esses genes até o momento. Apesar desta suposição, a genética deveria demonstrar altas capacidades vindas de outros indivíduos da família, próximos ou distantes, do indivíduo genial, mas não é esta a realidade. Portanto, ao que tudo indica, comprar genes de gênios não garante crianças igualmente geniais.

Ainda quanto às pesquisas da ciência convencional, os outros 50% responsáveis pela formação tanto do génio quanto do indivíduo medíocre estariam ligados, ou seriam dados, pela relação do indivíduo, homem ou mulher, com o meio. Nos estudos da mesologia são inúmeras as possibilidades de contactos a serem realizados e os aprendizagens advindos deles. Porém, uma criança precoce, sobredotada, não teve tantos contactos assim, na vida actual, para formar suas altas habilidades, sua sobredotação ou sua genialidade.

O cérebro humano possui cerca de 100 mil milhões de neurónios. O diferencial, no caso das sobredotações está na quantidade de conexões entre os neurônios. Este diferencial vem da quantidade de conexões estabelecidas entre as células nervosas do cérebro (neurónios). Quanto maior a quantidade de conexões, em diferentes áreas de especialização, maiores as possibilidades de associações originais de idéias.


Isso quer dizer, obviamente, que a pessoa que quiser pode, ao longo do tempo, "exercitar" o cérebro de diversos modos. Uma ou mais inteligências superdesenvolvidas, ao que tudo indica, surgem do esforço e do suor da consciência que buscou aprender e experimentar, auto-formando-se, ao longo de múltiplas vidas. Este é o esforço contínuo e, para quem não se considera sobredotado ou superinteligente, deve começar o quanto antes.
 

O ideal, neste caso, será superar inclusive a monodotação: a inteligência muito desenvolvida em apenas uma área, buscando, ao máximo que seja possível, desenvolver todas as potencialidades pessoais visando a polivalência e a polimatia.

Algumas condições que contribuem para ganhos nesta área novos hábitos de pensar, exercício da memória, desenvolvimento da atenção, busca da clareza na interpretação de informações e do estabelecimento de raciocínio interpretativo e crítico (discernimento).

 
Informações para isto não faltam. Aliás, é preciso filtrar o que é prioritário para evitar a dispersão e a perda de tempo com informações inúteis, fúteis ou apenas mercantilistas. Sempre conta mais o desenvolvimento da maturidade.


Mas, por que uma criança estabelece mais conexões do que outras em 3 ou 4 anos, contando os meses da gestação, em um cérebro novo?

 
O conceito conscienciológico de paragenética ajuda a pensar e buscar uma compreensão mais ampla neste tipo de caso. Em Conscienciologia, a paragenética é a especialidade que estuda a genética composta e integral, adstricta a todas as heranças da consciência, através das experiências adquiridas em vidas intrafísica anteriores e em períodos extrafísicos entre estas vidas.

A paragenética compõe-se destas informações, armazenadas:
1. No psicossoma (corpo emocional, extrafísico);
2. No mentalsoma (corpo mental, sede extrafísica da consciência).

O psicossoma e o mentalsoma são os corpos que registram as experiências e fixam as características que influenciarão a nova genética desde o momento da formação do novo corpo.


Pela Hipótese da Serialidade Existencial (múltiplas vidas), o psicossoma e o mentalsoma são os mesmos ao longo das múltiplas vidas, carregando em si as capacidades, potencialidades e aprendizados adquiridos.


Entre outros atributos, atribui-se à paragenética: elegância pessoal, refinamento nas atitudes, bom gosto, vocação profissional, carisma, estilo de manifestação, nível de cosmoética, índole ou carácter.


Estatísticas indicam que, em qualquer país, independente da condição económica, nascem, em média, 3 sobredotados a cada 100 pessoas.


Vejamos então 10 características da personalidade sobredotada:

- Humor aguçado;
- Pensamento abstracto precoce;
- Curiosidade intensa;
- Rapidez para aprender;
- Independência de idéias e atitudes;
- Gosto por desafios;
- Poder agudo de observação;
- Vocabulário inusitado para a série escolar ou idade;
- Persistência nos objectivos;
- Constância destas características ao longo da existência.

Sobredotação, no entanto, não é um indicador e alta maturidade e sim de alta habilidade em certo contexto. Verifica-se, por exemplo, que é preciso dar atenção especial ao sobredotado, ou à sobredotada, pois pode ocorrer de esta personalidade, às vezes brilhante em alguma área e actuação intelectual, viver com carências afectivas e dificuldades no convívio social. Na história da humanidade encontram-se casos de personalidade com altos potenciais e genialidade em certa área e grandes "brechas na maturidade" em outros contextos, como por exemplo estes 4:


Albert Einstein é conhecido pela desorganização pessoal (por exemplo a financeira); tabagista, afirma-se que chegava a pegar pontas de cigarro na rua para cultivar o vício.
Charles Darwin, o pai da Teoria da Evolução das Espécies, era considerado tímido (acanhamento), talvez pelo receio quanto à exposição de suas idéias, evitando-se assim indispor-se junto à Igreja.
Isaac Newton, criado sem pai e longe da mãe, era considerado de personalidade fechada e agressiva.
Sigmund Freud, em função do seu vício (tabagismo), desactivou o corpo físico devido a um câncer na boca (efeito) com o qual conseguiu conviver por algum tempo graças ao uso da cocaína como analgésico.


Também é comum encontrar sobredotados que creditam seus potenciais a um "dom" oferecido por uma entidade fora e si mesmo.


Uma outra possibilidade, a nosso ver mais interessante, é buscar o estudo a respeito da quantidade de vidas dispensadas ao desenvolvimento daquela habilidade específica. E mais, verificar se a facilidade em determinada área não está causando acomodação evolutiva.


Afinal, a evolução pessoal consiste, ente outros aspectos, em aprender e melhorar-se naquilo que não se sabe bem ainda, e não apenas em repetir o que já se sabe".


Texto de Daniel Muniz
Jornalista e professor

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
ALBUQUERQUE, Christiana; Esperança na cabeça: Encontro de especialistas vai debater a contribuição de superdotados para o mundo; Revista Época; Semanário; Secção: Educação; Editora Globo; São Paulo - SP, 24.08.1998, p.76-77.
CAVALCANTE, Rodrigo; Pimpolhos sabidos; Revista Superinteressante; Mensário; Secção: Curiosidade; Editora Abril; Ano 15; N. 03; Ed. 162; 04 ilus.; Março/2001; São Paulo - SP; p. 70-75.
FERRARO, Tânia; Superdotação e aplicabilidade de talentos pessoais; Anais da II Jornada de Educação Conscienciológica; Editora IIPC; Rio de Janeiro - RJ; 2003, p. 107-117.
HORTA, Luiz Paulo; De genes e de gênios; O Globo; Diário; Seção: Opinião; Editora Globo; Rio de Janeiro - RJ; 2a ed.; 14.02.2001; p. 07.
MELLO, Mariana; Gente como a gente; Revista Superinteressante; Mensário; Secção: Curiosidade; Editora Abril; Ano 15; N. 03; Ed. 162; 04 ilus.; Março/2001; São Paulo - SP; p. 64-67.
VIEIRA, Waldo; 200 Teáticas da Conscienciologia; Editora IIPC, Rio de Janeiro - RJ; 1997; p. 153.
INFOGRAFIA:
CARELLI, Gabriela; O gênio da vez: O superdotado americano de 13 anos já terminou a faculdade, criou uma fundação internacional e foi indicado para o Nobel da Paz; Revista Veja; Semanário; Editora Abril; São Paulo - SP; Ed. 1.800; 30.04.2003.

MUITO INTELIGENTES, SOBREDOTADOS E PRODÍGIOS


Para a Mental Performance Systems (Inglaterra) há 3 níveis de indivíduos com elevadas capacidades e talentos. Enquanto no nível 3 ficam as pessoas ditas "médias", as de nível 4 são "muito inteligentes"; as de nível 5 são "sobredotadas" e as de nível 6 "altamente sobredotadas" (ou "prodígios" como Einstein depois de comprovada capacidade e após muitos anos de vida e experiência).

Para a Mensa - uma organização internacional que congrega pessoas altamente capazes - pode-se definir assim as diferentes categorias:

Definição de Muito Inteligente
É geralmente aceite que "muito inteligente" (em inglês: very bright) é a pessoa que em um teste de QI reconhecido obtem um resultado superior a 95% da população em geral, ou seja, dentro dos 5% superiores. A Mensa optou por seleccionar quem está nos 2% superiores. Esse número não é totalmente arbitrário, estudos estatísticos mostram que há uma diferença mensurável de comportamento entre os 2% superiores e os 2% seguintes. Outras organizações do gênero optam por outras classificações, caso do Instituto da Inteligência como atrás se descreveu.

Definição de Sobredotado
Segundo as diretrizes básicas para a acção do Centro Nacional de Educação Especial do Brasil, são consideradas sobredotadas e talentosas as que apresentam notável desempenho e/ou elevada potencialidade em qualquer dos seguintes aspectos, isolados ou combinados:

- capacidade intelectual superior
- aptidão acadêmica específica
- pensamento criador ou produtivo
- capacidade de liderança
- talento especial para artes visuais, artes dramáticas e música
- capacidade psicomotora.

Tuttle e Becker descreveram cada uma dessas áreas de superdotação:

Habilidade intelectual geral: esta categoria inclui indivíduos que demonstrem características tais como curiosidade intelectual, poder excepcional de observação, habilidades para abstrair, atitude de questionamento e habilidades de pensamento associativo.

Talento académico: esta área inclui os alunos que apresentam um desempenho excepcional na escola, que se saem muito bem em testes de conhecimento e que demonstram alta habilidade para as tarefas acadêmicas.

Habilidades de pensamento criativo e produtivo: esta área inclui estudantes que apresentam idéias originais e que são capazes de perceber de muitas formas diferentes um determinado tópico.

Liderança: inclui aqueles estudantes que emergem como os líderes sociais ou acadêmicos de um grupo.

Artes visuais e cênicas: engloba os alunos que apresentam habilidades superiores para pintura, escultura, desenho, filmagem, dança, canto, teatro e para tocar instrumentos musicais.

Habilidades psicomotoras: engloba aqueles estudantes que apresentam proezas atléticas, incluindo também o uso superior de habilidades motoras refinadas, necessárias para determinadas tarefas, e habilidades mecânicas.
(retirado do livro Psicologia e Educação do Superdotado - Eunice Soriano Alencar - E.P.U. 1986)

Características dos Sobredotados
Esta é uma pequena lista de características típicas do superdotado. Existem outras características que não foram citadas, principalmente as ligadas à sobredotação artística e psicomotora, por haver menos pesquisas nestas áreas. É importante lembrar que nem todos os sobredotados apresentam todas as características citadas na lista.

Segundo Tuttle e Becker, 1983:

- é curioso;
- é persistente no empenho de satisfazer os seus interesses e questões;
- é crítico de si mesmo e dos outros;
- tem sentido de humor altamente desenvolvido;
- não é propenso a aceitar afirmações, respostas ou avaliações superficiais;
- entende com facilidade princípios gerais;
- tem facilidade em propor muitas idéias para um estímulo específico;
- é sensível a injustiças tanto no nível pessoal como no social;
- é líder em várias áreas;
- vê relações entre idéias aparentemente diversas.

Segundo Gowan e Torrance, 1971:

- Reage positivamente a elementos novos, estranhos e misteriosos de seu ambiente;
- persiste em examinar e explorar estímulos com o objetivo de conhecer melhor a respeito deles; - gosta de investigar, faz muitas perguntas;
- apresenta uma forma original de resolver problemas, propondo muitas vezes soluções inusitadas;
- independente, individualista e auto-suficiente;
- tem grande imaginação e fantasia;
- vê relações entre objetos;
- tem sempre muitas idéias;
- prefere idéias complexas, irrita-se com a rotina;
- pode ocupar seu tempo de forma produtiva, sem ser necessária uma estimulação constante pelo professor.

Definição de Prodígio
Existem duas definições em disputa pelo termo:

1. quem obtêm um resultado excepcional (na faixa superior a 180 -190) num teste determinado de QI;

2. quem consiga raciocínios e inferências tais que, somados a uma intuição também muito acima do normal, lhe permitam não somente imaginar como também formular e realizar uma obra fundamentalmente original e reconhecidamente de alto valor.

Os defensores da opção 1 acreditam ser possível medir objetivamente a genialidade enquanto os defensores da definição 2 preferem esperar por resultados práticos significativos.

A história nos mostra que muitos génios viveram no anonimato e morreram na pobreza, talvez não tendo sido reconhecidos por estarem muito à frente do seu tempo.

Para o investigador Nelson S. Lima, da Universidade do Futuro (Brasil) e da Mental Performance Systems (Inglaterra) e também comissário da EQAC "o génio é aquele que descobre, inventa ou produz algo de novo e de grande significado e impacto para a Humanidade. Nem todas as crianças sobredotadas serão génios. Mas muitas delas contêm em si as sementes da genialidade".

Hoje em dia considera-se que para a genialidade entram em conjugação diversos factores heridários, sociais, educacionais e situacionais, uma excepcional motivação, um profundo envolvimento numa actividade e uma poderosa auto-confiança.

Pensamento inventivo?

A sociedade humana avançou porque, ao longo da sua história, apareceram uns tipos que conseguiam ver além do óbvio e daquilo que lhes aparecia à frente do nariz. Esse fulanos pensavam pró-activamente! Eram criativos e práticos! A maioria dos inventos são prova disso mesmo!

Saiba mais sobre....

Talento
O que é o talento? O talento, diferentemente da sobredotação, encerra o conceito de engenho, habilidade para algo e ser capaz da sua realização com êxito.

Para muitos autores, o talento é a manifestação de uma inteligência por meio de uma ou mais habilidades com significado social expressivo. Vejamos um exemplo.

Yves era um miúdo tímido que evitava fazer desporto e adorava teatro. Tinha talento para o desenho mas a sua arte exprimia-se melhor na construção de bonecos e no desenho de roupa. O pai queria que ele estudasse Direito mas aos 17 anos de idade inscreveu-se na Chambre Syndicale de la Haute Couture, em Paris. Em pouco tempo ganharia o seu primeiro prémio e seria contratado pelo famoso Christian Dior.
Passou por várias crises no início da vida adulta. Sofreu depressões e abusou de álcool e drogas. Mais tarde criaria a sua própria marca de roupa. A primeira colecção foi exibida em 1962 com total êxito. Chamava-se Yves Sant-Laurent e foi considerado um "génio" da moda.
Links interessantes: Pierre Bergé Yves Saint Laurent Foundation e Yves Saint Laurent.

Como ter filhos mais inteligentes

Para além do óbvio...
Não vale a pena tentarmos ignorar a verdade. O título pode parecer vulgar ou polémico (depende da perspectiva) mas a verdade é que a investigação científica prova que se pode ter filhos mais inteligentes se as mães, antes e durante a gravidez, tiverem determinados cuidados! E, depois, nos primeiros anos de vida, para além de um ambiente estimulante, é necessário oferecer algo mais às crianças.
Se a componente genética tem, sem dúvida, um peso muito importante na inteligência ela não é totalmente decisiva. Há muitos factores em jogo e a maioria depende da família e da sociedade.
Numa época agressivamente competitiva, em que a inteligência e o conhecimento são as principais riquezas das empresas e das nações, estas notícias devem merecer a atenção dos pais e das comunidades.

Quantas inteligências podemos ter?


Existem vários tipos de inteligência?
Fala-se hoje muito em inteligências múltiplas (emocional, espiritual, espacial, etc) mas considero que a maior parte daquilo que se chama inteligência ou são capacidades ou meras competências. Prefiro algo mais simples: a inteligência pode ser analítica, criativa e executiva (prática). As chamadas inteligências emocionais ou sociais, por exemplo, representam, para mim, habilidades e competências (que se podem adquirir, aprender e desenvolver ao longo da vida).

Nasce-se inteligente, ou tornamo-nos inteligentes?
Nascemos com um leque de potencialidades que estão para além da inteligência mas que incluem a inteligência. Esta pode ser desenvolvida e enriquecida através de estímulos recebidos nos primeiros anos de vida (como também pode ficar inibida) e potenciada nos anos seguintes. Nunca se pode dissociar a inteligência de outras variáveis que estão presentes na personalidade de cada um. Trabalhando essas variáveis podemos flexibilizar e ampliar aquilo que se entende por inteligência.

Qual o papel dos genes no processo?
Obviamente, os genes têm um papel importante em todo o desenvolvimento do organismo, incluindo as múltiplas áreas da psique. Os genes são o ponto de partida mas deixam um amplo espaço de manobra para que o meio, a cultura, as experiências e os desafios da vida exerçam uma função modeladora. O desenvolvimento da inteligência é sempre um processo dinâmico em aberto ao longo da vida. O que fizermos com a inteligência ditará um maior ou um menor sucesso onde actuarmos (nos relacionamentos, no trabalho, na política, na comunidade, etc.).

A personalidade e as emoções interferem na inteligência?
As emoções fazem parte da personalidade tal como a inteligência. As emoções interferem nos comportamentos. E estes serão mais ou menos inteligentes conforme a nossa capacidade para usarmos os nossos recursos (saberes, interesses, capacidade de aprender, criatividade, carácter, etc.) incluindo as emoções e os sentimentos.

O que existe afinal de verdade nos conceitos QI, QE, QP e Qes?
São conceitos que procuram dimensionar diferentes potencialidades. O Q.I. pretende medir a inteligência mais racional. O Q.E. a inteligência emocional. O Q.P. é a inteligência positiva. O Q.Es a inteligência espiritual. Todos estes quocientes são tentativas de medir algo que dificilmente é mensurável com o rigor científico ambicionado. Um indivíduo pode revelar-se mais inteligente e habilidoso numa área e perfeitamente inapto e até estúpido noutras situações. Estes conceitos deram origem à indústria dos testes psicométricos mas pessoalmente não confio nos resultados apregoados. Eles medem os resultados de testes, mas medem o quê? Habilidades? Competências? Há pessoas que têm uma extraordinária perícia para fazer testes de inteligência e chegam a resultados excepcionais, mas isso não significa que na vida, no trabalho, nos relacionamentos, sejam tão inteligentes como mostram nos testes. Confunde-se frequentemente inteligência com habilidade, perícia, sabedoria e competência.

Importância do conhecimento do “eu interior” nas várias etapas da vida humana.
Conhecermo-nos a nós próprios é uma velha máxima que já vem da Grécia Antiga e até antes daqueles que são apontados como os primeiros filósofos. Porque somos seres sociais em que a visão representa 60% dos nossos sentidos, vivemos muito para o exterior e muito dependentes das imagens que os espelhos reflectem. Somos também sensíveis ao que os outros possam opinar sobre nós. E isso leva-nos a centrar a atenção na imagem externa, na ideia que fazemos de nós próprios. Isso beneficia a indústria e o comércio da moda. O "eu interior" situa-se a uma maior profundidade, no âmago da nossa personalidade. Ele é o produto de construções mentais, de crenças, de estímulos, de laços afectivos da infância. Ele dá-nos um sentimento de unidade e de identidade e desenvolver-se ao longo da vida, ora reforçando-se ora enfraquecendo-se. O "eu interior" é psicológico, espiritual e corporal, aglutinando estas três dimensões.

Como podem os governos impedir o desperdício de talentos e qual a importância dessa atitude?
Através de decisões políticas e acções concretas que devem comprometer o sistema educacional e o sistema económico na detecção e incentivos àqueles que revelem talento, sabedoria e excepcional competência em áreas de reconhecido interesse para os países. Esses indivíduos são uma mais-valia por aquilo que podem contribuir para o avanço da Ciência, da Tecnologia, do Conhecimento, da Inovação e da Modernização da sociedade.

O nosso mundo


O nosso planeta é um mundo integrado num mundo mais vasto: o sistema solar, a galáxia, o universo no seu conjunto. O novo esforço desenvolvido para se alcançar uma visão integral, global, tem em conta essas realidades mais amplas: a procura das nossas origens, o nosso lugar e o nosso papel na natureza e no cosmos. 
Esse esforço para chegarmos a uma visão global evidencia-se em vastos domínios da cultura e da sociedade contemporânea. É um indício de sanidade e de vitalidade numa época de confusão e incerteza.
Ervin Lazlo, Academia de Viena, ex-director de investigação na ONU

PENSE NISTO

DICA > Para que o seu filho floresça num mundo competitivo e exigente escolha, se possível, escolas e universidades onde ele seja livre de pensar, duvidar e perguntar.
."As salas de aulas, mesmo nos países que mais honram a democracia política, nem sempre são albergues da democracia das ideias, mas do autoritarismo das ideias. Por isso, as escolas formam homens que retransmitem o Conhecimento, mas que não são Pensadores Humanistas".

"Fico imaginando quantos ilustres pensadores, que de alguma forma também foram críticos do sistema académico, que não tiveram a sua produção de conhecimento abortada pela postura autoritária das universidades de se colocarem como o centro da produção e da validação do conhecimento e como o centro exclusivo da produção de intelectuais, de cientistas, de pensadores, de teóricos. Parece paradoxal, mas o sistema académico não apenas forma intelectuais, mas também sufoca pensadores, mesmo dentro dos seus muros".

"A cultura e a escolaridade têm sido ineficientes para formar pensadores nos seus amplos aspectos psicossociais, inclusive pensadores que tenham uma macrovisão da espécie humana, que tenham uma paixão humanística e poética por ela".
By Augusto Cury, psiquiatra e escritor, autor de Inteligência Multifocal (1998).
.
Novos saberes!
O mundo moderno, globalizado, multicultural, onde se vive sob uma constante sensação de urgência, exige que demos aos nossos filhos uma preparação muito diferente daquela que nos formou a nós, adultos.
São muitas as advertências e conselhos que surgem um pouco de todo o lado, de tal forma que os educadores não sabem, por vezes, que fórmulas seguir.
Selecionámos 6 chaves para o sucesso da autoria do conhecido e afamado consultor Stephen Rhinesmith. Vejamos quais são.
Competência para Gerir a Competitividade. Exige uma disposição mental que é de "procurar-se uma perspectiva maior e mais ampla" do mundo. Apoia-se no Conhecimento.
Aprender a Gerir a Complexidade. Exige competências de raciocínio analítico e intuitivas. O quadro mental a desenvolver é o "equilíbrio de contradições".
Gerir a Adaptação às Organizações. Vivemos integrados em organizações diversas: famílias, escolas, empresas, nações, etc. Esta competência exige Flexibilidade Mental e Auto-confiança.
Saber Trabalhar num Clima de Incerteza. Saber estudar e trabalhar num mundo em constante mudança e que todos os dias nos surpreende com novidades (boas e más). Exige Capacidade de Avaliação e Julgamento. Pede aptidão para Fluir, "surfar sobre as ondas". A rigidez de comportamento e de mentalidade pode conduzir ao desastre.
Gerir a Aprendizagem Pessoal e o Aperfeiçoamento Constante. Exige capacidade reflexão e uma Mente Aberta.
Capacidade de Liderança e Gestão de Equipas. Aprender a trabalhar inseridos em grupos. Exige-se que saibam lidar com uma grande diversidade de pessoas, estilos de pensamento, ideias e valores. A característica mais importante a desenvolver: a Sensibilidade.

Problemas comuns nas crianças superdotadas



Perfeccionismo exagerado
As crianças sobredotadas perfecionistas são vítimas de frequentes episódios de ansiedade porque nem sempre conseguem realizar as coisas com o esmero, o detalhe e a qualidade que elas próprias esperam de si. O seu mecanismo de resposta, o controlo de reacção, é um processo de auto-censura exigente. Por outro lado, podem ser alvo fácil da chacota dos colegas menos preocupados com o rigor dos desempenhos.

Criatividade mal aceite
Ao contrário das perfeccionistas, as crianças criativas podem revelar-se muito espontâneas, anárquicas e desorganizadas. Têm dificuldade em seguir as regras rebelando-se contra a autoridade estabelecida. Os seus impulsos criativos podem gerar inesperadas reacções por não serem facilmente aceites em ambientes conservadores, até na escola onde o espaço para a autêntica criatividade esteja muito limitado.

Impulsividade perigosa
Os sobredotados impulsivos tendem a responder e a agir de forma inesperada e impaciente, mostrando-se incapazes de controlar a necessidade de actuarem rapidamente em quase tudo. Quando são empreendedores, a impulsividade leva-os a não perderem tempo com detalhes. Quando são aventureiros são práticos, imediatistas e gostam de correr riscos. Desmotivam facilmente quando são forçados a ritmos mais lentos e se lhes exija um comportamento tranquilo.

Hipersensibilidade emocional
Muitas crianças sobredotadas são de uma elevada sensibilidade ao meio onde estejam (casa, escola, etc.). A sua susceptibilidade à incompreensão, à falta de manifestações de afecto e às atitudes de rejeição ou até de menor atenção para com elas empurra-as para a tristeza, o isolamento intencional e a melancolia. O seu humor pode oscilar facilmente em função da leitura que façam do ambiente humano que as rodeie.

Isolamento por opção
Os sobredotados de elevada inteligência e com interesses muito específicos tendem a isolar-se dos outros quando estes não são capazes de os acompanhar nas suas escolhas ou até nos seus raciocínios. Fecham-se então no seu mundo, por vezes de forma obsessiva. Muitos são referidos como introvertidos, impopulares, ansiosos e inseguros.

Nelson S Lima 

PENSE NISTO

Ser inteligente não significa ser um intelectual. A inteligência não consiste em acumular informações e conhecimentos. Ser inteligente é, na verdade, ser criativo. Mais ainda, significa viver de forma criativa.
Osho

Muitos autores tomam como padrão da inteligência a inteligência humana. Eu refuto totalmente este ponto de vista (...). O cérebro humano não é o único suporte de inteligência. A evolução das espécies até ao aparecimento do homem com o seu cérebro consciente deve ser considerada como um processo altamente inteligente.
Daniel Dubois (doutorado em Ciências Aplicadas)
Quem é sobredotado?
É difícil determinar a precocidade do desenvolvimento mental de uma criança e é particularmente difícil avaliar em crianças muito pequenas. Os educadores reconhecem dois tipos de dotes, o intelectual e o criativo, e os programas para crianças sobredotadas hoje são rotulados "para sobredotados e talentosos".

Crianças brilhantes e saudáveis, provenientes de ambientes estimulantes, frequentemente podem-se enquadrar nessas classificações. Normalmente, elas são muito questionadoras sobre o mundo ao seu redor, são criativas com as palavras quando estão aprendendo a falar e, enquanto estão brincando, são criativas com os brinquedos. Alguns adoram livros e aprendem a ler bem antes da idade escolar. Eles são ávidos para aprender e alguns mostram, logo cedo, indícios de um interesse e de um talento especiais para música, arte, teatro ou dança.

O mundo da fantasia é um chamado forte para alguns, que usam a imaginação de modo criativo.

Avaliando crianças sobredotadas
Se você é mãe ou pai de uma criança que pode ser sobredotada, provavelmente você está feliz com isso. Mas, ao mesmo tempo, pode estar preocupado. Você pode estar dividido entre pressionar demais e estimular o suficiente para desafiar o seu filho brilhante.

Uma avaliação formal é a maneira mais confiável para determinar se o desenvolvimento de uma criança a situa na classificação oficial dos superdotados e talentosos. Uma criança que sabe ler aos 3 ou 4 anos é considerada pronta para os testes, mas os pais devem ter consciência de que uma avaliação feita tão cedo talvez não seja tão correta quanto uma feita mais tarde.

A avaliação de uma criança sobredotada deve ser realizada por uma pessoa ou por um serviço que tenha experiência com crianças pequenas e também com os testes e métodos de interpretação apropriados. Isto envolve o uso de certos testes padronizados que medem o desenvolvimento dos níveis de habilidade e de talento, mas a avaliação quase nunca envolve o uso de testes de inteligência, em razão da instabilidade do QI em idades precoces.

Os resultados de uma avaliação indicam quais as áreas de aprendizagem que uma criança pode começar a dominar em idade precoce e o nível de leitura apropriado para a criança. Uma vez conhecidos os resultados, você pode considerar opções como entrar mais cedo para a escola e o envolvimento em programas especiais.

Características das crianças sobredotadas
Muitas crianças sobredotadas e talentosas não lêem antes de ir para a escola; a leitura precoce não é o único critério de uma habilidade mental ou criativa excepcional. Se você tem interesse que uma avaliação seja feita com o seu filho e ele não sabe ler, é uma boa idéia acumular provas de informação. Mantenha um registo escrito de suas observações sobre o comportamento avançado do seu filho. Use exemplos e anote características como estas:

- fala precoce, com vocabulário semelhante ao de um adulto e questões ou observações excepcionalmente perspicazes ou astutas;
- memória excelente;
- habilidade especial para desenho ou outro trabalho artístico;
- habilidade de se concentrar numa actividade por longos períodos de tempo.

Os educadores também sugerem que você continue a encorajar a curiosidade natural do seu filho, sem pressionar ou forçar. Proporcione quaisquer experiências enriquecedoras que puder, principalmente as que o seu filho gosta. Aproveite oportunidades em livrarias, museus infantis e afins. Tente encontrar outros pais dispostos a se juntar a vocês e dividam o seu conhecimento e entusiasmo enquanto levam as crianças a passeios educativos adequados.

Procure oportunidades na sua vizinhança: uma construção, onde o seu filho pode ver camiões, máquinas e materiais de construção; o quartel de bombeiros local; uma viagem de autocarro pela cidade, que pode ser uma experiência emocionante para uma criança que em geral só anda de carro.

Há experiências de aprendizagem disponíveis em quase toda a parte por onde você anda com o seu filho. Lembre-se de que a mais sobredotada das crianças é criança em primeiro lugar, sobredotada depois.

É fácil tratar uma criança sobredotada como se ela fosse mais velha; no entanto, elas são imaturas para algumas coisas. Ao mesmo tempo em que a criança brilhante de 3 anos pode ter a capacidade cognitiva de uma de 5, ela pode ter a coordenação corporal ou o desenvolvimento social e emocional de uma de apenas dois anos e meio.

Todas as crianças, quaisquer que sejam os seus potenciais e capacidades, precisam do amor, da atenção e dos conselhos de pais que não tentem transformá-los em miniaturas de adultos.

Se você tem um filho sobredotado ou talentoso, explore a idéia de iniciar um programa de aprendizagem precoce.

Um mistério para a Ciência!

Os meninos (autistas) sábios!
Desenho de Ig Giles Trehin da cidade imaginária Urville. Ig é autista e inventou uma cidade do século XII a.C. Ao longo dos anos foi acrescentando pormenores actualizando a história da cidade em função de um hipotético desenvolvimento económico, social e cultural imaginado.
Visite o site de Ig Giles > http://www.urville.com/

Continuam a ser um mistério para a Ciência.
O seu talento, em algumas operações mentais e nas artes,
é fora de série. São os chamados savants.
Também são conhecidos como subdotados excepcionais.
Antigamente eram referidos como idiotas-sábios.

Estamos a falar do Síndrome Savant. Ele resulta de uma anomalia genética que surge em algumas crianças com atraso mental e em alguns autistas que lhes permite obterem excepcionais desempenhos em áreas muito específicas da execução mental.
As crianças savants chegam a ter um Q.I. que se situa entre os 40 e os 70 pontos, um quociente intelectual fraco. Um terço dessas crianças são autistas. O traço excepcional que apresentam é geralmente unifocal, ou seja, prende-se apenas com uma habilidade muito específica e em que são superiores à pessoas de Q.I. médio (100) ou até às sobredotadas.
Por exemplo, os savants em cálculo são obcecados por números. Revelam uma memória fotográfica altamente precisa e uma extraordinária rapidez na obtenção de resultados podendo ultrapassar, por vezes, a velocidade dos computadores pessoais. É conhecido o caso de um rapaz que, em apenas 2 minutos, consegue calcular o número total de segundos que existem, por exemplo, em 18 meses a partir de uma determinada data. Já os savants hábeis em cálculo de calendário conseguem determinar o dia de uma qualquer data futura ou passada. 
Os savants musicais têm preferência pelo piano. Pensam os cientistas que esta preferência parece dever-se ao facto do piano produzir sons e tonalidades organizados em linha, graças à disposição das teclas. Julga-se que também estabelecem uma ligação emocional com os sons, podendo revelar-se autênticos prodígios de interpretação. Não conseguem, todavia, ser compositores brilhantes visto que estão muito limitados na sua capacidade criativa.
No desenho também há savants. Apresentam algumas singularidades como alta habilidade para a reprodução realista de figuras, em especial imagens naturalistas, e espantosa memória visuo-espacial. Desenham habitualmente de memória com grande precisão geométrica. Ig Giles (ver desenho) é um deles.
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Mentes prodigiosas!
Um dos estudos mais conhecidos sobre o fenómeno savant foi realizado pelos investigadores Darold Treffert e Gregory Wallace. Num artigo publicado na revista Scientific American Mind eles relataram alguns casos excepcionais.
É o caso de Leslie Lemke que se revelou um músico virtuoso aos 14 anos quando interpretou primorosamente o Concerto nr. 1 para Piano de Tchaikovsky poucas horas depois de o ter ouvido uma única vez na televisão. É invisual e sofre de parilisia cerebral.
Outro exemplo é Richard Wawro´s, um artista plástico de renome, com obras expostas no Vaticano e considerado pela crítica como sendo um "fenómeno incrível". É autista.
Kim Peek, um memorizador de enciclopédias e mapas, surpreendeu os investigadores por ter conseguido memorizar palavra a palavra o conteúdo de 7.600 livros e todos os mapas dos Estados Unidos. Mostrou-se capaz de saber todos os códigos postais e os nomes dos canais de televisão privados do país. Foi este homem que inspirou a personagem de Reymond Babbit, interpretada por Dustin Hoffman no filme Rain Man (Encontro de Irmãos).
Mais antigo mas não menos interessante é o caso de "Blind Tom" Bethume (1849/1908) que foi considerado a "oitava maravilha do Mundo". Embora não conhesse mais do que 100 palavras consta que conseguia tocar mais de 7 mil peçasde piano.
Também algumas crianças com o Síndrome de Williams - uma anomalia genética que produz baixa aptidão intelectual e problemas sérios no sistema cardiovascular - podem exibir um extraordinário talento musical. Elas possuem alta sensibilidade para discriminar sons. Por causa disso demonstram muito interesse e entusiasmo pela música sendo capazes de fixar facilmente melodias e letras por longos períodos.

ATENÇÃO AOS NOVOS MERCADOS DE TRABALHO


Jovens sobredotados e o trabalho

Por imaturidade, desconhecimento, inexperiência e falta de apoio, os jovens têm sérias dificuldades na escolha da sua carreira. A influência da família e de amigos, aliada a falta de informações são os factores que mais pesam na tomada de decisão por parte dos jovens. Na dúvida, cheio de insegurança, mais de 70% dos jovens optam pelas carreiras tradicionais, já totalmente saturadas no mercado, como medicina, direito, engenharia, odontologia e outras mais. Caberia à escola o papel orientador, mas essa prefere presenciar inerte seus alunos lutando desesperadamente pela aprovação em um curso "tradicional", para amanhã estarem desempregados ou subempregados.

Cursos Tradicionais
Seja por questões culturais, por falta de conhecimento, por tradicionalismo ou por status, os cursos mais concorridos nas universidades não são os de melhores perspectivas profissionais, mas sim os mais tradicionais. Segundo o vice-reitor da Unesp, Profº Dr. Paulo Cezar Razuk, os "cursos mais concorridos são aqueles ligados as profissões mais tradicionais que, por sinal, algumas delas, a médio prazo, estarão fadadas ao desaparecimento".

Diminuição da Importância do Diploma Universitário
Dois factores serão os principais responsáveis pela perda de valor do diploma universitário enquanto instrumento de ascensão social e profissional: a conscienlização da necessidade de educação permanente e as novas exigências do mercado de trabalho, como por exemplo: capacidade de aprendizado, assertividade, criatividade, adaptabilidade, flexibilidade e autodidatismo, que são habilidades de difícil mensuração, que não podem ser atestadas através de um diploma.

Sectores de maior probabilidade de crescimento para as próximas décadas
- Informática
- Saúde
- Meio Ambiente
- Biotecnologia
- Administração
- Tecnologias da Informação
- Sector terciário
- Educação
- Turismo
- Hotelaria
- Comunicação Social
- Moda
- Gestão
- Gastronomia
- Logística
- Marketing
- Telecomunicações
- Comércio Exterior e Relações Internacionais

Profissões do Futuro
- Administradores de Comunidades Virtuais
- Engenheiros de Rede
- Gestor de Segurança na Internet
- Coordenadores de Projetos
- Consultor de Carreiras
- Coordenadores de Atividades de Lazer e Entretenimento
- Designer e Programador de Jogos
- Gestor de Patrocínios
- Gestor de Empresas do Sector Terciário
- Especialista na preservação do Meio Ambiente
- Engenharia Genética
- Gerentes de Terceirização (comércio e serviços)
- Gestor de Relações com o Cliente
- Especialista em Ensino a Distância (EAD)
- Tecnólogo em Criogenia (congelamento de órgãos)
- Especialista em Neurofitness e Neuróbica.

Novas profissões 1
A revista francesa Techniques Magazine, publicou uma lista de 28 carreiras poucos comuns que, segundo ela, serão destaque nos últimos 10 a 25 anos. Entre elas se destacam:
- Arqueólogo Submarino
- Consultor de Lazer
- Gerente de Centro de Informações
- Tecnólogo em Bateria de Células Combustíveis Automotivas
- Tecnólogo em Correio Electrónico
- Tecnólogo em Medicina Biônica
- Terapeuta de Horticultura.

Novas profissões 2
A revista americana Time publicou recentemente um caderno em que apresenta as suas previsões para as profissões do século XXI. Entre as previsões da Time estão:
- Engenheiro de Tecidos Celulares - que actuarão no fabrico de órgãos humanos artificiais.
- Programador de Genes - que trabalharão com o mapeamento e alterações no código genético dos seres vivos para evitar e combater doenças e desenvolver medicamentos.
- Farmoagricultor - juntando as habilidades agrícolas com as farmacêuticas, esse profissional vai produzir grãos geneticamente modificados com a ajuda da engenharia genética.
- Organizadores de dados - profissional com a habilidade de organizar o turbilhão de informações que todos os dias é produzido por institutos de pesquisas, ONGs, governos, imprensa, universidades, e seleccionar as informações necessárias, sintetizá-las e contextualizá-las.
- Actores e escritores virtuais - para actuarem em filmes e fotonovelas veiculados apenas na Internet.
- Engenheiros do conhecimento - profissionais capazes de criar inteligência artificial ou traduzir o expertise de especialistas e reproduzi-lo em softwares.

Diminuição da Duração dos Cursos no Ensino Superior

Acredita-se que em futuro próximo os cursos de graduação terão de um a três anos, no máximo, de forma que o indivíduo inicie seu processo profissional o quanto antes, mantendo a vida estudantil concomitantemente a vida profissional. Actualmente, mais da metade das pessoas que se formam no Ensino Superior dos EUA fizeram cursos de duração inferior a três anos.

Mercado de Trabalho

O encolhimento e o desaparecimento de diversos mercados de trabalho é um movimento que já vem sendo acompanhado há mais de duas décadas. Só agora, no entanto, ele se configura como irreversível. Não há governo ou sindicato que possa alterar esse quadro. Absolutamente nada poderá deter a marcha da imprevisibilidade. Profissões desaparecerão, mas novas oportunidades surgirão. O que as pessoas precisam entender é que as coisas não serão mais como eram antes. Uma carreira não tem como ser planeada para toda a vida. Já está longe o tempo em que passar no concurso de um banco era garantia de segurança "eterna".

Para o Doutor em economia e articulista do jornal A Folha de São Paulo - Gilson Schwartz, o mercado de trabalho, no sentido convencional da expressão, desapareceu. Para ele, esse "desaparecimento" do mercado pode ter sete diferentes significados:
- Encolhimento do mercado, existindo menor oferta de empregos devido a retração da economia.
- Desaparecimento do mercado através da substituição de certas profissões por máquinas e computadores, ou ainda, pela eliminação do processo de intermediação. Por exemplo, já é previsto o fim dos agentes de viagens devido a gradativa eliminação da intermediação na compra de passagens.
- Flexibilização do mercado com as mudanças das leis trabalhistas e o aumento do trabalho realizado de forma "alternativa" ao convencional (CLT).
- Virtualização do mercado com a transferência de diversos serviços para dentro da Internet, como por exemplo, os serviços bancários, os serviços de representação comercial etc.
- Degradação do mercado pela perda do status de determinada profissão ou pela deteriorização progressiva de uma carreira.
- Barreiras etárias à entrada no mercado em função da dificuldade que trabalhadores acima de 45 anos encontram para conseguirem uma colocação profissional.
- Irrelevância do mercado, já que muitas pessoas estão encontrando outras formas de sobreviverem, livres e distantes do mercado formal de trabalho.

As novas exigências

Não é mais o mercado que vai se adaptar ao perfil das pessoas. Elas precisam estar em constante mudança para adaptarem-se ao perfil do mercado. O trabalhador precisa acompanhar as tendências e conjunturas e estar preparado para ir se adaptando a elas o tempo todo. Neofilia, o gosto pelo novo, pela mudança, é a palavra de ordem na selecção profissional.

Competências, Habilidades e Atitudes do Profissional do Século XXI

- Capacidade de trabalhar em equipe
- Domínio de idiomas
- Domínio de informática
- Autodidatismo (aprender sozinho)
- Reciclagens periódicas
- Actualização permanente
- Neofilia (a procura de novidades e alternativas)
- Cidadania e responsabilidade social
- Habilidade na tomada de decisões
- Capacidade de aprender a aprender
- Capacidade de associação de idéias
- Liderança
- Visão de Conjunto.



Profissionais Multímodas



Além da competência e habilidades necessárias ao profissional do futuro, há um item de fundamental importância: o nível de abrangência das capacidades desse profissional. Os termos para designá-lo são muitos: profissional híbrido, multifuncional, polivalente, multímoda, interdisciplinar, entre outros. O que importa é que ele tenha a capacidade de expressar e aplicar o seu conhecimento, competências e habilidades de muitas maneiras. Podemos apresentar como por exemplo de profissional multímoda, um nutricionista que está apto a dar consultoria pela Internet, realizar palestras sobre o tema que domina, fazer auditoria nas empresas em que actua e seleccionar profissionais do ramo para actuar nos locais em que dá consultoria.


Fonte: @aprender. Adaptado.

GERAÇÃO Y CHEGA AO MERCADO DE TRABALHO


Trabalhar com jovens é um desafio constante. Cada geração é fruto da educação que recebeu de seus pais e também da interacção com o ambiente e a sociedade. Nos últimos anos, o mundo vem passando por diversas revoluções, que alteraram profundamente o comportamento das pessoas.

O surgimento da internet e a revolução digital, por exemplo, trouxeram avanços sem precedentes. No mundo do trabalho, isso traz um desafio interessante: começam a chegar ao mercado os jovens que cresceram regidos pelos bits e bytes do mundo digital.

Chamados de geração Y, esses jovens têm menos de 30 anos e possuem características muito próprias - e o choque cultural acontece quando passam a ser comandados pelo pessoal de outras gerações.

Mais do que evitar conflitos, ter uma política de recursos humanos que entenda a geração Y pode trazer um excelente ganho de productividade. Moldados pelo imediatismo da internet, a geração Y necessita de estímulos para desafiá-la a oferecer o que tem de melhor: a ousadia, a criatividade, a facilidade para realizar tarefas múltiplas e o espírito questionador.

Algumas dessas características, inerentes no espírito dos jovens, foram levadas ao paroxismo pelo mundo contemporâneo. De um lado, seus pais, libertários da década de 60, que viveram a utopia do "é proibido proibir", estimularam ao máximo o espírito contestador dos jovens. O acesso fácil às informações, trazido pela internet, temperou o caldo de cultura.

O resultado é que, para extrair ao máximo as potencialidades dessa talentosa geração, é necessário abrir-se ao diálogo. Fazê-los entender é muito mais producente do que simplesmente mandar. Para essa geração, a hierarquia não é um argumento-fim. Sem contar a falta de formalidade desses jovens, cuja educação sempre privilegiou a individualidade - e suas manifestações.

Outra característica marcante dos jovens da geração Y é a capacidade de realizar diversas tarefas ao mesmo tempo. Não surpreende mais encontrar um deles falando ao telemóvel, digitando no MSN e assistindo TV, enquanto come. Ao mesmo tempo em que isso comprova as habilidades multifacetadas necessárias para conseguir equilibrar diversas actividades, muitas vezes esse aspecto também vem junto com a dificuldade de esperar a concretização de um projeto de longo prazo.

A tendência a dispersar a concentração não é algo incomum. Para fugir dessa armadilha e buscar a maior produtividade da geração Y, uma das alternativas é, por exemplo, dividir um projecto mais longo em etapas mais curtas, com metas e prazos predeterminados, cujos resultados podem ser obtidos com maior rapidez.

Com características tão peculiares, principalmente para a geração anterior - que teve de se adaptar, à marra, às modernidades tecnológicas, e para quem o mundo digital não é o habitat natural, é compreensível que surjam dificuldades na comunicação entre eles.

No call center, por exemplo, que é provavelmente o sector da economia que mais emprega jovens, esse desafio é permanente. Mas, também, muito gratificante, pois essa nova geração induz à renovação e traz um espírito de inovação às empresas - e ambas as características são a alma da sobrevivência, no longo prazo, de qualquer negócio. As empresas precisam rever a sua formação e sistemas de avaliação de resultados, para melhor reflectir o mundo contemporâneo e os jovens que ajudarão a construir o futuro.
Os jovens e o futuro
O Dr James Canton, do Institute for Global Futures, da Califórnia (empresa que estuda as tendências que marcarão o futuro da Humanidade e que tem clientes como a IBM, a Motorola, a MasterCard, etc.) propôs uma classificação muito curiosa das atitudes dos jovens face ao futuro. Teve como base uma investigação que fez, em 2002, nos Estados Unidos, envolvendo 1500 jovens com idades entre os 15 e os 20 anos.
Refere que há 4 tipos de estilos: o jovem pioneiro; o jovem activista; o jovem tradicionalista e o jovem frustado. Vejamos as características principais de cada um.

Pioneiro
Os jovens que entram nesta categoria são os líderes, os inovadores e os "exploradores" de amanhã. São os mais preparados e os mais batalhadores. São ambiciosos, têm uma visão positiva do futuro, orientam-se por objectivos, são motivados pela tecnologia e são racionalistas. A educação é a chave das suas ambições, buscam a especialização e a competência. O Dr Canton considera que a capacidade destes jovens para ter êxito é elevada.

Activista
Os Activistas são os jovens contestatários, insatisfeitos com o sistema educativo e as lideranças actuais. São mais políticos do que os Pioneiros, envolvem-se em projectos comunitários e sociais. Podem ser positivos relativamente à tecnologia. Podem evoluir para o estilo pioneiro mas se a sociedade não lhes oferecer os recursos necessários podem juntar-se às fileiras dos frustados ou tornarem-se elementos socialmente perturbadores.

Tradicionalista
Os jovens pertencentes a este grupo são mais conservadores, estão mais voltados para a família, concentram-se menos no dinheiro e mais numa vida tranquila, não muito ambiciosa. Não pretendem ser inovadores ou líderes no sentido convencional. Falta-lhes sobretudo motivação, embora possam ser tão competentes como os pioneiros.

Frustado
Neste grupo estão os jovens com dúvidas em relação ao futuro e vivem afastados das principais actividades. São pessimistas, a tecnologia não os atrai, não estão interessados em mudar as coisas, contentam-se com pouco. A razão desta atitude perante o futuro pode encontrar-se no meio cultural e educativo em que vivem. Pode também prender-se com a natureza da sua personalidade e a opções de vida.

As crianças sobredotadas na Europa

Entre os vários termos e definições utilizados na Europa para denominar jovens sobredotados, distinguem-se claramente duas categorias principais. Na grande maioria dos países, os termos mais comuns nas definições nacionais são “sobredotados” e “talentosos” (ou os seus equivalentes nas outras línguas), utilizados separada ou conjuntamente.

Conjuntamente, estes dois termos são empregues em 13 países e regiões. De referir, porém, que no Reino Unido (Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte) é feita uma distinção entre eles: o termo “gifted” (sobredotado) é empregue num contexto “intelectual” ou “académico”, enquanto o termo “talented” (talentoso) é mais do foro das artes e do desporto.

Certos países não utilizam estes termos, preferindo expressões como “jovem de grande capacidade potencial” (Comunidade Francófona da Bélgica), “jovens de grande capacidade” (Comunidade Flamenga da Bélgica), “crianças intelectualmente precoces” (França) ou “alunos com grandes capacidades intelectuais” (Espanha). Na Roménia, os termos utilizados nos documentos oficiais são “alunos capazes de grandes desempenhos” e “alunos com capacidades excepcionais”.


Definição da População-Alvo

Na Comunidade Francófona da Bélgica e em Espanha, foi recentemente abandonado o termo “sobredotado”. A opção por novos termos destina-se a concentrar as atenções na “educabilidade” dos alunos e na importância do meio ambiente relativamente à forma como os vários tipos de capacidade se desenvolvem.

Em três países nórdicos (Finlândia, Suécia e Noruega), não se utiliza nenhum termo específico para designar este grupo de jovens. A ausência de terminologia específica reflecte um compromisso político declarado de evitar qualquer tipo de classificação desse grupo, nomeadamente em termos de capacidade. O acento tónico é posto no potencial de desenvolvimento de todos os jovens, sem os agrupar numa categoria deste género.


A Educação de Sobredotados

Países Baixos: Utiliza-se o termo “excepcionalmente sobredotado”, mas não está registado oficialmente. Os jovens em causa são igualmente designados por “jovens com talentos especiais”.
Portugal: O termo comum é “sobredotados”, mas os documentos oficiais aludem a “alunos com capacidades excepcionais de aprendizagem".
Roménia: Os termos utilizados são “alunos capazes de elevados níveis de desempenho” e “alunos com capacidades excepcionais”.
Eslováquia: Os psicólogos distinguem entre “crianças sobredotadas” (crianças com grandes capacidades intelectuais) e “crianças talentosas” (crianças com grandes capacidades artísticas ou desportivas).
Finlândia: Utiliza-se o termo “sobredotado”, mas não está registado oficialmente. A política de educação nacional procura evitar a segregação entre grupos diferentes e promover a igualdade.
Reino Unido (ENG/WLS/NIR): São também utilizados os termos “capaz”, “muito capaz”, “mais capaz”, “excepcionalmente capaz” e “de elevada capacidade”.
Islândia: O termo é “crianças com capacidade potencial especial em determinadas áreas”.
Bulgária: O termo preferido é “criança claramente talentosa ou sobredotada”

Critérios de classificação

Nem sempre existem critérios de classificação estabelecidos. Ao todo, apenas 17 dos 30 países e regiões abrangidos têm critérios de classificação definidos. Porém, é de salientar que a maioria dos países ou regiões que utiliza os termos “sobredotados” e “talentosos” para qualificar crianças ou jovens de potencial excepcional adoptou um conjunto de critérios correspondentes.

Bélgica (BE fr): A grande capacidade potencial reflecte-se na coexistência e coordenação de todo um conjunto de factores. Os testes de aptidão e os testes de avaliação dos conhecimentos ou do desempenho, quando utilizados na prática, são apenas uma das etapas de um processo de avaliação mais abrangente de um aluno.
Alemanha: A inteligência cognitiva é encarada como o aspecto mais importante do desenvolvimento.
França: A capacidade especial de crianças não pertencentes à categoria “intelectualmente precoces” pode ser reconhecida e considerada nos domínios artístico (música e dança) e desportivo. Existem critérios e testes para identificar este tipo de capacidade.
Letónia: Os testes de aptidão ou de capacidade potencial são organizados apenas por iniciativa das próprias escolas.
Hungria: Embora sejam principalmente reconhecidas e consideradas as formas de inteligência cognitiva e artística, o debate profissional, o reconhecimento e o desenvolvimento tendem cada vez mais a incluir também formas de inteligência sociais e afectivas.

Países Baixos: Se a escola tiver uma ideia clara das necessidades e do potencial de determinados alunos, não é necessário identificar crianças com talentos especiais. De um modo geral, só se recorre a testes de diagnóstico exaustivos em caso de desacordo entre os pais e a escola em relação à capacidade de uma criança.
Eslovénia: O termo “talentosos” é aplicado mais especificamente a jovens com um aspecto particular do desenvolvimento pessoal bastante acentuado.

Avaliação

O critério mais frequente é o do desempenho em testes de aptidão ou de capacidade potencial, utilizado em 15 países ou regiões para classificar crianças ou jovens sobredotados.

A avaliação do desempenho ou dos conhecimentos (na escola ou em termos físicos ou artísticos) é utilizada em 12 países. No entanto, em quase todos os países, excepto na Letónia, Polónia e Reino Unido (Escócia), este critério é complementado por um teste de aptidão ou pela avaliação da capacidade nos vários aspectos do desenvolvimento considerados.

Cinco países que realizam testes de aptidão ou de capacidade potencial, nomeadamente a Bélgica(Comunidade Germanófona), República Checa, Alemanha, Espanha e Listenstaine, não aplicam critérios de avaliação de conhecimentos/desempenho. Por outras palavras, em muitos dos países com critérios adoptados, os jovens deverão demonstrar logo à partida níveis de desempenho excepcionais para serem incluídos na população-alvo e considerados elegíveis, nos casos aplicáveis, para a frequência de educação especial.

Em 11 países ou regiões, nomeadamente, as Comunidades Francófona e Flamenga da Bélgica, a Dinamarca, Estónia, Grécia, Itália, Chipre, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Eslováquia e Islândia, existe um termo, mas não há critérios de classificação definidos.

A maior parte dos países parece ter adoptado uma visão mais lata do conceito de inteligência, uma vez que, em 14 deles, esse conceito se aplica em simultâneo aos aspectos intelectuais, interpessoais/emocionais, físicos e artísticos do desenvolvimento. Sete países (Dinamarca, Grécia, Letónia, Polónia, Reino Unido, Islândia e Bulgária) consideram todos os aspectos, excepto os interpessoais/emocionais. Na Hungria e em Portugal, são tidos em conta os aspectos intelectuais e artísticos do desenvolvimento. Na Comunidade Flamenga da Bélgica, França e Irlanda, o conceito é encarado de uma forma mais restritiva, cingindo-se à inteligência em geral e à capacidade cognitiva. Na Alemanha, este aspecto do desenvolvimento é também o mais considerado nas referências às crianças sobredotadas. Dois países (Estónia e Luxemburgo) não mencionam especificamente as áreas de desenvolvimento.

Nos termos da legislação vigente em 10 países ou regiões, os jovens sobredotados ou talentosos são especificamente incluídos na população de jovens com necessidades educativas especiais. Noutros países, ou em algumas das suas regiões, nomeadamente na Comunidade Germanófona da Bélgica, Dinamarca, Malta, Países Baixos (no ensino primário) e Bulgária, pratica-se uma inclusão de facto. No Listenstaine, existe legislação consagrada especificamente às necessidades de alunos de acentuada capacidade potencial, embora sem os incluir na população de alunos com necessidades educativas especiais.

Em 19 países, os jovens sobredotados não estão incluídos na população de jovens com necessidades educativas especiais, embora exista um termo para estes últimos. Esta situação ocorre maioritariamente nos países nórdicos e nos novos Estados-Membros da UE.
Qual o papel dos genes e do ambiente na sobredotação?

Este é um tema que não tem merecido grande controvérsia na comunidade científica mas não deixa de ser objecto de pesquisa e de curiosidade.
Não suscita dúvidas o facto de, dada a heterogeneidade da Natureza, não existirem dois seres vivos iguais. Isto aplica-se também à inteligência e às capacidades cognitivas, psicomotoras, etc. Ou seja, partindo do princípio que não há dois indivíduos iguais fácil é de concluir que um será melhor do que o outro no que respeita a certos predicados. E assim temos que, dos dois indivíduos, um revelará mais potencialidades do que outro.
Só se admite que haverá sobredotação num deles desde que revele aptidões que ultrapassem os valores que sejam considerados médios para a totalidade da população, a sociedade e a época.
Mas voltando ao início: qual é o papel do meio envolvente? Será que os genes têm um papel determinante e decisivo? Poderá acontecer que alguém nasça "sobredotado" e posteriormente, devido a um ambiente empobrecido, possa tornar-se "normal"? Estas são algumas das perguntas que os estudantes, os professores e os pais fazem com alguma frequência.

O desenvolvimento cerebral
Sabe-se, actualmente, que o meio e as experiências de vida moldam a estrutura cerebral. Ou seja, o desenvolvimento do cérebro é um processo "dependente da experiência". Daniel Siegel, psiquiatra e professor na Escola de Medicina da Universidade da Califórnia, é perentório: "(...) a experiência activa certos percursos no cérebro, fortalecendo ligações existentes e criando outras novas". Isto é particularmente impressionante nos primeiros anos de vida. Inclui a estimulação a que a criança seja sujeita e a natureza dos relacionamentos interpessoais.
Como diz Daniel Siegel, "os genes contêm as informações para a organização geral da estrutura do cérebro mas a experiência determina quais os genes que se expressam, como e quando". Ora, o que acontece à criança no começo da sua vida tem um impacto tremendamente importante na sua mente.
Esse impacto resulta de alterações no cérebro, em particular: o crescimento dos neurónios, mais exactamente dos axónios (filamentos que ligam os neurónios uns aos outros); o estabelecimento de novas ligações entre os neurónios; o crescimento da mielina ao longo dos axónios (melhorando o funcionamento dos neurónios); etc.
Sendo o cérebro um sistema muito complexo constituído por biliões de neurónios e outras células (neuroglias, etc.) ligados uns aos outros, o seu desenvolvimento vai depender não apenas do que está determinado geneticamente mas sobretudo pelas actividades e experiências a que for sujeito. Um cérebro passivo, pouco estimulado, conduz à perda de capacidades. Um cérebro estimulado, que vivencie diferentes actividades, torna-se mais rápido, flexível e mais inteligente.


Qual é o papel dos genes?
No cérebro, os genes codificam a informação em relação a como os neurónios devem crescer e realizar as ligações uns com os outros. São processos que estão pré-programados mas dependentes da experiência. A experiência aqui trata-se de estimulação.
Os genes possuem duas grandes funções: contêm "informação" que passará para a geração seguinte e retiram informações codificadas no ADN (determimando quais a proteínas a ser sintetizadas). O processo de retirar informações do ADN chama-se "transcrição" e é directamente influenciado pela experiência/estimulação.
Assim, os genes não actuam sozinhos. Eles interagem com o ambiente. Então, o que se conclui é que a hereditariedade e a experiência/estimulação interagem no desenvolvimento da pessoa. Isto é tão importante que, diz o dr. Siegel, "o próprio comportamento altera a expressão genética, que depois cria o comportamento". Citando outro autor, M. Rutter, "a experiência, a expressão dos genes, a actividade mental e as interacções continuadas com o meio (experiência) estão intimamente ligadas num conjunto transaccional de processos".
A mente inteligente resulta pois não apenas dos genes, da hereditariedade. Há mais factores presentes, de natureza dinâmica, que devem ser considerados. Não apenas nos primeiros anos de vida mas ao longo de toda a vida. Isso faz apelo à optimização cerebral a qual inclui também a afectividade, a alimentação, a higiene, o estilo de vida, os cuidados parentais, a educação, etc. Falaremos disto posteriormente.
O sobredotado líder
e o despertar do homo sapiens holisticus

Os homens do futuro já estão instalados nos nossos filhos. Milhões de crianças brincam com computadores, navegam na internet e estabelecem laços com um mundo novo que forma uma autêntica tecnosfera em torno do planeta. Comparativamente aos pais, as crianças da Sociedade da Informação vivem de forma mais acelerada, têm acesso mais rápido ao mundo que os rodeia, vêem as coisas com um outro olhar. Elas não passaram pelas mesmas etapas dos adultos. Estes viveram as transformações do mundo de uma forma gradual. Os filhos, não.
"Tempos diferentes produzem mentes diferentes" - clamam os psicólogos sociais Don Edward Beck e Christopher Cowan. O nosso ADN psicocultural está em acelerada mutação embora desde há milhares de anos estejamos a "peregrinar de um despertar para outro, tornando-nos seres ligeiramente diferentes em cada um" - acrescentam.
Segundo outro psicólogo, Mihaly Csikszentmihaly, assistimos hoje à expansão do espaço psicológico em direcção a personalidades multifacetadas e a um planeta muito mais complicado. Enquanto a maioria das pessoas vive ainda segundo padrões de pensamento muito marcados pelos valores, ideologias, crenças e modelos de vida ligados às últimas décadas do século XX, talvez uns 0,1% dos humanos vivem já segundo um novo padrão de actividade cognitiva. São os primeiros humanos de uma nova fase de evolução: a do homo sapiens holisticus.

A superioridades dessas crianças revela-se a pouco e pouco por todo o mundo. Um dos melhores exemplos é Craig Kielburger. Em 1995, quando ainda tinha 12 anos, fundou uma organização não-governamental denominada Free The Children, destinada a lutar pelos direitos das crianças. Os seus membros, distribuidos por muitos países (45), têm entre 8 e 16 anos de idade.
Num livro publicado em 2000 pela UNESCO ("As Chaves do Futuro"), Craig escreveu que um dos objectivos da organização foi a criação de uma rede mundial de crianças e o estabelecimento de um programa internacional de ajuda à infância (até ao presente, a organização já construiu mais de 400 escolas em todo o mundo). Leia aqui a biografia de Craig.

O cientistas sociais apontam este jovem como um bom exemplo do novo homo sapiens holisticus. O espiritualista Emmanuel Saskiá diria que este novo homo sapiens é intuitivo-sintético, situando-se no terceiro nível de evolução. É muito inteligente, tanto racional como social, é sobredotado líder e luta para transformar a sociedade de consumo, neurótica e escravizante. Dedica-se ao próximo e a causas humanitárias sem qualquer interesse, sendo movido pela autêntica solidariedade. Considera-se cidadão transnacional, ultrapassou os muros dos nacionalismos e trabalha sem distinções de pessoas ou grupos em planos de longo prazo.
A urgência com que todos os povos aguardam um mundo diferente conduzido por líderes inteligentes e visionários, centrados em novos valores, capazes de nos devolverem a paz e a harmonia universais, faz-nos olhar para estas crianças e acreditar que ela talvez sejam capazes de governar as nações, as empresas e as demais instituições que sustentam a nossa sociedade de uma forma mais justa, harmoniosa e igualitária.
Veja o site da organização > Free The Children. Vídeos > Click here to view additional videos.
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O espírito humano hoje está atrasado em relação à globalização que não domina. O espírito está atrasado quanto aos problemas globais que acometem o planeta.
O ser humano do futuro deve inverter esta pretensa normalidade do atraso do espírito. Pois já não podemos permitir-nos estar atrasados. O ser humano do futuro deve, de agora em diante, estar adiantado.
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A globalização do mercado e das tecnologias, a planetarização das questões ambientais deveriam, no bom sentido, estar acompanhadas por uma consciência moral e política à altura do que está em jogo.
Philippe Quéau (UNESCO)